Invejo-te, passarinho

Quando o jovem José Aron Sendacz sentia o ascenso do fascismo na sua Europa ancestral e a proximidade da conflagração mundial, não pensava ainda na paternidade com que nos ia honrar. O tenebroso período que então vivia não obscurecia sua esperança por um amanhã melhor, como hoje também seguimos fazendo.

A todos os pais do Brasil e do mundo, os que aqui estão e os que já concluíram suas lições, uma poesia daquele que iluminou os nossos caminhos.

INVEJO-TE, PASSARINHO

José Aron Sendacz, abril de 1939

Invejo-te, passarinho, que cantas tão alegremente,

Que cantas em minha janela, tão livre nas manhãs,

Que vives e voas sob os céus límpidos,

Que vives num mundo onde vale a pena viver.

Mas eu, que vivo num mundo de crimes,

Onde raramente surge um clarão luminoso,

Sou obrigado a cantar sobre a fome aviltante,

Sou obrigado a cantar sobre a solidão e o sofrimento do homem.

Original em idishe transliterado: Ch´bin Dich Mekane Feiguele

Ch´bin dich mekane feiguele, vos zingst azoi freilech,

Vos zingst bai main fentzter in frimorgns azoi frai,

Vos du lebst , un du shvebst, unter himlen di hele,

Vos lebst in a velt vu s´iz lebn kedai.

Ober ich, vos ich leb in a velt fun farbrechn,

Vu zeltns s’bavaist zich a lichtiker shain,

Muz zingen fun mentshlechn hunger der frechn,

Muz zingen fun mentshlechn elend un pain.

Poema publicado em Um Homem do Mundo, escrito originalmente em ídiche e traduzido por Hugueta Sendacz.

Feliz Dia dos Pais!

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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