Quando o tempo decide: o poder eleitoral dos idosos no Brasil contemporâneo

Paulo Baía, sociólogo, cientista político, ensaísta e professor da UFRJ, mostra que “há uma transformação silenciosa em curso no Brasil. Não se anuncia com estridência, não ocupa manchetes diárias, não se converte em espetáculo. Mas avança com a consistência das marés, com a força inevitável da demografia, com a densidade histórica de quem acumulou décadas de experiência”.

O Brasil envelheceu

Em 2010, o Brasil tinha 135,8 milhões de eleitores. Em 2026, chega a 156,2 milhões. Um crescimento de cerca de 15%. Mas o dado decisivo não está aí. O dado decisivo está no salto do eleitorado com 60 anos ou mais. Eram 20,8 milhões em 2010. São 36,2 milhões em 2026. Um crescimento de 74%. Uma expansão quase cinco vezes maior que a do conjunto do eleitorado.

Em 2010, representavam 15,3% do eleitorado. Em 2014, 17,0%. Em 2018, 18,8%. Em 2022, 21,0%. Em 2026, alcançam 23,2%. Quase um em cada quatro eleitores brasileiros é idoso. Um quarto do país eleitoral carrega o tempo no corpo, na memória, na linguagem, na forma de perceber o mundo. Ignorar isso é mais do que um erro. É uma cegueira política.

O autor assim conclui:

O voto idoso carrega o tempo. E o tempo, quando entra na urna, pesa. Pesa na escolha. Pesa na decisão. Pesa no destino coletivo.

O Brasil mudou. Os números mostram. A metodologia confirma. A realidade impõe. E o tempo, agora, vota.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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