A generosidade bem brasileira dos pracinhas na Itália

Liberazione, em Monte Castelo

Quem traz essa memória impar da Força Expedicionária Brasileira na Itália, que abaixo reproduzimos, é o Momento Espírita, sob o título “A diplomacia da compaixão”.

“Então, nos vêm à mente eventos da Segunda Guerra Mundial, que envolveram nossos pracinhas na Campanha no norte da Itália.

Embora para as tropas aliadas tivesse sido estabelecida uma administração militar dos territórios ocupados, a História registra a quebra sistemática dos protocolos logísticos pelos nossos soldados.

Diferentemente de outros exércitos aliados, que seguiam à risca a norma de não compartilhar rações para não comprometer o suprimento da tropa, os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira criaram laços profundos com a população local.

Eles introduziram no front uma arma inesperada: a empatia. Desafiando normas rígidas que proibiam o desvio de suprimentos, o soldado brasileiro escolheu enxergar, sob os escombros, não apenas uma zona de guerra, mas famílias famintas.

Relatos descrevem soldados que, após marchas exaustivas, reservavam parte de suas rações diárias para crianças e idosos locais.

Em cidades como Montese, era comum ver brasileiros dividindo o rancho e agasalhos com civis que nada tinham.

Essa desobediência aos protocolos logísticos aliados não era um ato de rebeldia vazia, mas uma afirmação de valores.

Os brasileiros, oriundos de uma cultura de calor humano e miscigenação, recusavam-se a tratar o povo italiano como um mero cenário de guerra ou um fardo logístico.

Os oficiais brasileiros, muitas vezes, sabiam o que estava acontecendo, mas fingiam não ver.

Eles entendiam que manter a moral da tropa e a cooperação da população local era mais valioso do que punir um soldado por oferecer um mingau quente de leite, aveia e açúcar.

Por esse comportamento, os brasileiros geraram uma gratidão eterna em cidades da região da Toscana e Emília-Romanha.

Existem diversos monumentos na Itália dedicados não apenas à bravura militar dos brasileiros, mas à sua generosidade.”

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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