
Percival Henriques de Souza escreve para a Fundação Maurício Grabois sobre a moderna modulação da consciência pela inteligência artificial, destacando que o algoritmo de hoje difere da antiga fotografia, já que “não inverte a realidade para todos da mesma maneira”.
Diante de pesquisa da Datafolha indicadora de que “34% dos brasileiros que se declaram petistas afirmam ser de direita ou centro-direita. Na direção oposta, 14% dos bolsonaristas se identificam como de esquerda ou centro-esquerda”, o pesquisador empreende uma análise marxista-leninista do novo fenômeno, para pontuar:
Há uma ironia amarga no fenômeno que estamos descrevendo. O materialismo dialético ensinou que a consciência é determinada pelas condições materiais de existência. A infraestrutura econômica molda a superestrutura ideológica. Pois bem: o algoritmo é infraestrutura. Código é capital fixo. Servidores são meios de produção.
Mas a dialética está invertida. Em vez de a posição de classe determinar a consciência, é a consciência fragmentada que impede a percepção da posição de classe. O trabalhador precarizado que apoia políticas contra seus próprios interesses não está “votando errado”. Está operando com uma representação de mundo que foi algoritmicamente construída para impedir que ele perceba a conexão entre sua situação concreta e as escolhas políticas disponíveis.
Entenda no artigo completo porque o autor julga imprescindível “reduzir o poder das redes”:

Um comentário em “A “câmara escura digital” e a consciência algoritmicamente modulada”