A luta entre o velho e o novo

Nas redes sociais, o historiador gaúcho Raul Carrion resgatou poema de Bertold Brecht para enaltecer o progresso da Humanidade em sua saudação de ano novo. Assim ele apresentou a obra antifascista tão histórica como atual:

No universo, nada existe fixo, imóvel ou imutável. Tudo está em permanente movimento, desenvolvimento e transformação.

O motor de todo movimento e de todo progresso são as contradições. Estas se expressam na luta entre o Velho que morre e o Novo que nasce; entre o que perece e o que se desenvolve; entre o aferrar-se ao passado e o esforço por construir o futuro.

Por isso, os que lutam por transformações não temem as contradições.
Sabem que o Novo surge do seio do Velho e se desenvolve em luta contra ele, e que essa luta só se resolverá quando o Novo superar definitivamente o Velho e a realidade der um salto de qualidade.

Em tempos em que o Velho se traveste de Novo; o efêmero se apresenta como permanente; o fragmentário pretende substituir a totalidade; a solidariedade e a generosidade são abandonadas em nome do egocentrismo e da lei do mais forte; em tempos tais, ganha grande atualidade a poesia O CORTEJO DO VELHO NOVO, do comunista alemão Bertold Brecht, escrita quando o nazifascismo avançava em todo o mundo e proclamava a escravização dos demais povos pela força das armas…

O CORTEJO DO VELHO NOVO
Bertold Brecht

Eu estava sobre uma colina e vi o Velho se aproximando,
mas ele vinha como se fosse o Novo.
Ele se arrastava em novas muletas, que ninguém antes havia visto,
e exalava novos odores de putrefação, que ninguém antes havia cheirado.
A pedra passou rolando como a mais nova invenção,
e os gritos dos gorilas batendo no peito deveriam ser as novas composições.
Em toda parte, viam-se túmulos abertos vazios,
enquanto o Novo movia-se em direção à capital.
E em torno estavam aqueles que instilavam horror e gritavam:
aí vem o Novo, tudo ė novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós!
E quem escutava, ouvia apenas os seus gritos,
mas quem olhava, via pessoas que não gritavam.
Assim marchou o Velho, travestido de Novo,
mas em cortejo triunfal levava consigo o Novo e o exibia como Velho.
O novo ia preso em ferros e coberto de trapos;
estes permitiam ver o vigor de seus membros.
E o cortejo movia-se na noite,
mas o que viram como a luz da aurora era a luz de fogos no céu.
E o grito: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós!
Seria ainda audível,
não houvesse o trovão das armas sobrepujado tudo.

Literatura universal

*imagem destacada no início gerada por IA do Copilot

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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