
O filósofo e jurista João Antonio da Silva Filho procura responder a pergunta a partir da douta consideração de ensimentos de gerações de pensadores humanos. De Aristóteles a Angela Davis, passando por Rousseau e Marx, ele parte da igualdade ao nascer para transformar o meio que condiciona o crescimento das gerações.
Na Antiguidade, o filósofo grego já destacava que “a sociabilidade era uma necessidade intrínseca do homem, pois a vida isolada intensificaria as dificuldades, beneficiando apenas os mais espertos, no sentido de quem utiliza a enganação para superar os demais”.
Se a criança é uma página em branco, “a desigualdade [é] gerada pela civilização que fomenta comportamentos como a ganância e a maldade, desvirtuando a essência humana originalmente pura”, como diria Rosseau.
Se o homem pensa onde os pés pisam, a solidariedade (“compromisso permanente com o trabalho coletivo para transformar as condições que criam desigualdades” A.D.) é o caminho para que todos tenham oportunidade de desenvolver o seu potencial, tendo a educação, como diria Paulo Freire, o elo libertador.
O desafio de construir uma sociedade menos gananciosa e competitiva passa por uma mudança de mentalidade e de estruturas. A transformação começa no reconhecimento de que o caráter humano é moldado pelo meio, e cabe a todos — indivíduos, Estado e sociedade civil — promover um ambiente onde a solidariedade e a justiça social prevaleçam. Somente assim será possível alcançar um mundo em que todos, sem distinção, tenham oportunidades reais de prosperar.

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