
Embora creditando os efeitos da desapropriação de áreas de moradia para concessão ao interesse privado à construção da sociedade industrial, Liandro Souza Santos acerta quanto ao descuidado social ocorrido, por exemplo, no caso do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.
Dificuldades de acesso à escola pela interposição de muros, separação de familiares e amigos nas realocações em dois distritos, desagregação da comunidade em termos de cuidados recíprocos com os vizinhos, cessação da renda da reciclagem, tradicional entre os moradores da Ocupação Vila Nazaré. 1.100 famílias cujas vidas sofreram impactos com a transposição da administração do bairro para a gestora aeroportuária alemã Fraport.
Além de responsabilizar os concessionários, o autor propõe um cuidado em seu Pensando os Conflitos entre Interesse Público e Privado para a questão de “quando chega o ‘desenvolvimento’, essas famílias são as primeiras a serem expulsas”:
Nos processos de desapropriação, a Administração Pública deve se valer de mecanismos que favoreçam a possibilidade de trabalho e a garantia de condições existenciais mínimas, bem como a garantia e defesa da autonomia individual, através da sua vinculação a conteúdos, formas e procedimentos do Estado de Direito.
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Um comentário em “Os prejuízos comunitários provenientes de desapropriações para fins privados”