Os soviéticos foram contra o fim da URSS

por Raul Carrion, nas redes sociais

O gráfico mostra os resultados do plebiscito de 1991, república a república. Carrion traz como fonte para os artigos abaixo, consolidados aqui como um só, Dezembro de 1991 – início do século 21“, de Daniel Vaz, e Gorbachev confessa: o objetivo da minha vida foi a aniquilação do comunismo, de Arthur Gonzales.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi criada em 30.12.22, após terem sido derrotadas as 14 potências imperialistas que invadiram o seu território, com o objetivo de restaurar o czarismo.

Quase 70 anos depois, em 26.12.1991, a URSS foi dissolvida por um ato ilegal de Yeltsin, apoiado por Gorbachev e referendado pelo Conselho das Repúblicas.

Dessa forma, foi desrespeitada a vontade do povo soviético que – em referendo realizado em 17.03.91 – havia decidido, por maioria de 76% dos votos, a “manutenção da URSS como federação renovada de repúblicas soberanas e iguais”.

Esse ato antidemocrático foi aplaudido em pé por todo o ocidente, como uma vitória da “democracia” e da “liberdade”…

Foi o desfecho de um longo processo de degeneração do socialismo soviético, após a morte de Stálin, que tomou corpo depois do 20° Congresso do PCUS, em 1956.

A dissolução da URSS levou ao abandono do socialismo e à restauração aberta do capitalismo, em suas formas neoliberais mais selvagens e opressoras, sob o monitoramento direto dos EUA.

Os resultados não se fizeram esperar: desmantelamento tecnológico e industrial, desemprego massivo, miséria, criminalidade, redução da expectativa de vida, etc.

No segundo semestre de 1993, diante da crescente resistência ao seu governo, Boris Yeltsin, presidente da Rússia, dissolveu de forma ilegal o parlamento, que resistia às suas reformas neoliberais.

O parlamento respondeu decretando o impeachment de Yeltsin.

Grandes manifestações populares tomaram as ruas de Moscou em apoio ao parlamento.

Yeltsin convocou, então, o exército e ordenou o bombardeio do parlamento e a repressão aos manifestantes, com o uso de tanques e artilharia.

Até hoje ainda não temos dados confiáveis, mas estima-se que – entre deputados e manifestantes – foram mortas mais de 2.000 pessoas.

Dissolvido o parlamento, Yeltsin aprovou através de referendo uma nova constituição, criando uma câmara alta – nomeada por ele – e uma câmara baixa, eleita.

Não satisfeito, outorgou-se o direito de dissolver a câmara baixa, sempre que julgasse oportuno…

Mais uma vez, a mídia imperialista apresentou esses ataques à democracia como uma vitória da “liberdade” contra a “tirania”…

Leitura adicional recomendada: Problemas econômicos do socialismo.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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