Por mais terras que eu percorra… diário de bordo, parte 2: França, Suíça e Itália

Após Portugal e Espanha, visitamos também França, Suíça e Itália, completando o circuito latino da Europa (muitos cantões suiços falam alemão, mas outros italiano e francês, como idioma principal).

Rio Sena, Paris

França

Quando há mais de dois milênios os antigos celtas e seus druidas fundaram Parisi, a fizeram enamorada do rio em forma de serpente, o Sena.

Quando ali chega a Rua Molière se fez um elevado sobre a via de tráfego, unicamente para lhe ajardinar a margem do rio e dar acesso aos passantes a um parque vizinho às águas.

Bordeaux

No Vale do Loire, entre Bordeaux e Paris, monarcas franceses construíram dezenas de castelos para passar férias com cônjuges, amantes e a corte, como esse de Chambord, em Lois, terra do inventor da panela de pressão, precursora das máquinas a vapor. Era também uma forma de se afastar daquela gente insatisfeita que “não queria comer bolo”.

Versailles

Luis 14, o Rei-sol, unificou a França sob o seu reinado absolutista e construiu o castelo de Versalhes em torno da antiga estação de caça de seu avô, de modestos 20 quartos, e a própria cidade com 12 alamedas radiais. Ao final das alas do rei e da da rainha está o Salão dos Espelhos, para as recepções internacionais. Aos soldados feridos em batalha, constriu o sanatório dos inválidos, como “prova de gratidão”.

Três Luíses ocuparam o trono lá, com longevidade surpreendente para a época, que impediu gerações de ascenderam à chefia de Estado, vedada às mulheres.

Depois da queda da Bastilha e o fim do reinado de Luís 16 e Maria Antonieta, o trono foi destruído, os monarcas guilhotinados e muitos dos bens de Versalhes foram leiloados ao exterior, para fazer caixa ao governo.

A Revolução da Igualdade, Fraternidade e Liberdade teve vida breve, com coroação do primeiro dos três Napoleões, cujas guerras custaram um milhão de vidas – 20% da população francesa da primeira metade do século 18 – e inclusive algum encolhimento do território francês.

Veio depois a segunda república e a Comuna de Paris – e uma guerra civil na França entre as classes do nascente capitalismo no país.

Montmartre foi reduto da boêmia parisiense, no alto morro fica a basílica do Sagrado Coração.

Diante da vista da cidade, as cercas de proteção têm milhares de cadeados amarrando antigos e novos casais de namorados.

Paris

A torre famosa foi montada pelo engenheiro que lhe deu o nome para servir de entrada à exposição mundial comemorativa dos 10 anos da revolução francesa, em 1889. Mesmo com o atraso de uma semana do fornecedor dos elevadores, alcançou tal sucesso que jamais foi desmontada, tornando-se um símbolo de Paris.

É símbólico também ter sido no Salão fos Espelhos em Versalhes firmado o tratado que trouxe a paz e o fim da primeira guerra mundial.

Zurique

Suiça

Famosa pelos chocolates e relógios, a Suíça não tem fronteira maritima. Mas uma das Indústrias mais ativas no quarto país mais rico da Terra é a naval!

O povo estaciona seus barcos nos rios “vicinais” que alimentam os lagos andinos e pratica esportes náuticos nos meses mais quentes.

Lago dos Quatro Catnões

Lucerna, uma das dezesseis capitais dos cantões autônomos, também fica à beira-lago, ao pé dos Alpes. São quatro os cantões servidos pelo aquífero do sul suíço. E muitas as cachoeiras.

Tem piscina a 1600 m de altitude, em uma estação de esqui aguardando as neves de outubro.

Milão

Itália

Milão é a terra da família Sforza, que cumpriu papel de braço militar na Renascença italiana e contou com os serviços de Leonardo da Vinci por duas décadas. Seu Duomo (catedral) é ornado por 1700 estátuas.

No caminho entre os poderes político e eclesiástico, em plena Dante Alighieri, fica a homenagem ao herói da Itália, Giuseppe Garibaldi.

Casa dos Capuleto, Verona

Verona é a cidade que inspirou Shakespeare em seu livro icônico. É a história do amor proibido da senhorita Capuleto, residente na casa da foto, e o jovem Montecchio. Se Romeu e Julieta de fato existiram, não se sabe ao certo, mas as famílias veronesas teriam se entendido adiante à história.

O coliseu da Comuna é milenar por fora e um palco de espetáculos por dentro. Contam que parte dos buracos da fachada dever-se-iam ao desvio de pedras para a construção de igrejas.

Ponte dos Suspiros, Veneza

Imagine uma imensa palafita em um lago à porta do Adriático, construída sobre estacas de madeira mineralizadas pelas areias submersas. Assim é Veneza, uma cidade milenar sem carros, em cujos canais circulam gôndolas e pequenos iates.

Foi lá que Vivaldi compôs de improviso as Quatro Estações. É na sua Torre do Relógio, em plena Praça São Marcos, que funciona o mais antigo relógio digital do mundo, instruído por um curioso artefato cuja volta tarda 24 horas e o tempo está grafado, como se espera, em números romanos.

Por Dante Alighieri

Florença, a sereníssima república, foi a capital do Renascimento italiano. Da Vinci, Michelângelo, Donatello e muitos outros artistas, cientistas e arquitetos produziram uma riqueza artística, em parte destruída por setores reacionários da Igreja.

Os Medici, banqueiros do Papa, tiveram importante papel na signoria da comuna medieval. Ana de Medici, última da linhagem, doou todo o patrimônio à cidade.

Coliseu, Roma

A multimilenar cidade surgida da lenda de Rômulo e Remo, amamentados por uma loba às margens do Tevere (Tigre), mostra uma cidade sobre outra. Já foi sede do império escravagista, quando os romanos não trabalhavam, mas viviam de pão e circo, e do Estado papal na Idade Média, hoje com 800 habitantes instalados no pequeno Estado do Vaticano, observador da ONU.

É marcada por 17 vias que “todas levam a Roma”, 11 aquedutos e centenas de milenares casas de banho, quentes, mornos e frios.

O Homem Vitruviano, Da Vinci

Próximo ao Vaticano fica o museu romano dedicado ao florentino Leonardo da Vinci. Uma coleção de reproduções de engenhocas, pinturas e estudos anatômicos e científicos dá uma ideia da grandiosidade da obra e sua importância para o renascimento da humanidade, após os tempos obscurantistas medievais.

As grandes navegações europeias marcaram sua vida e vice-e-versa.

Bairro Judeu, Roma

Ao lado do sítio arqueológico do Teatro de Marcello fica o antigo bairro Judaico de Roma, outrora dotado de 11 sinagogas. Ao centro fica o largo 16 de Outubro de 1943, data que marcou a deportação dos romanos aos campos de extermínio na Alemanha, com exposição permanente sobre o “inferno nazista”. Bela Ciao.

Panteão romano

O Senado da República funciona hoje em prédio moderno, apenas centenário. Mas foi no Panteão do império romano que Calígula escalou Incitatus, o cavalo, para as funções legislativas de então.

A torre famosa de Pisa projeta sombra sob sol a pino de mais de quatro metros e é reforçada estruturalmente para ficar estável em sua inclinação. Ao norte começam Genova a Riviera italiana, região hoje dividida entre Itália e França. Neste segundo trecho parte das praias são privadas, como se vê em Nice. A jogatina também atrai iates e jatos particulares.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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