Por mais terras que eu percorra… diário de bordo, parte 1: Portugal e Espanha

Muito acreditamos que aprendemos em nosso giro terrestre pelo sul do Velho Continente, envolvendo cinco das nações europeias. A primeira parte deste diário de viagem é complementada pela visita à França, Suiça e Itália.

Na Europa é melhor pensar em euros. Assim, o transporte público custa um e sessenta, um almoço completo pode ser consumido por quinze e por cinco visita-se um museu. Como se diz por aqui, “quem converte não se diverte“.

Rua Augusta, Lisboa

Portugal

Aqui não é recomendado entrar na Rua Augusta a 120 km/h , já que a via é exclusivamente peatonal e começa por um ostentoso arco, que dá as boas vindas à quem chega à Lisboa navegando pelo Rio Tejo.

Sintra

Quem não conhece a bela Sintra precisa saber da antiga e precavida preferência dos Reis portugueses em construir seus castelos fortificados no alto das colinas. As invasões por mar ou por terra podiam ser antevistas com boa antecedência; e um eventual combate deixa os de cima sempre em vantagem.

Homenagem a Cunha Gago, Lisboa

Os portugueses, desde o Infante Dom Henrique, são chegados em cruzar os mares. Se as navegações marítimas que chegaram à África, América e Ásia são bem conhecidas, o cruze aéreo do Atlântico Norte por Gago Coutinho mereceu esse monumento, próximo à Torre de Belém, que servia de guarda aos visitantes fluviais.

Museu do Dinheiro, Lisboa

Há alta densidade museológica na região metropolitana de Lisboa, todos eles equipados com bilheterias. Um dos raros ingressos gratuitos é o Museu do Dinheiro, cuja idolatria se dá em uma antiga igreja reformada, que outrora serviu de sede ao Banco de Portugal e seus escudos. Na saída,o visitante ainda recebe uma lembrancinha… um marca-livros!

Falando em dinheiro, não é só o idioma de Portugal que é igual ao do Brasil. Os juros elevados também fazem os mutuários sofrerem na terrinha. Com o agravante de a política monetária ser transacional, já que tudo está cotado em euros na terrinha.

Mérida

Espanha

Se ainda não foi, vá a Mérida! Construída pelo imperador romano Otávio Augusto como repouso aos soldados emérito do seu exército, o patrimônio da humanidade guarda riquezas arqueológicasdos tempos romanos e das conquistas islâmicas, inclusive um colossal teatro de duelos para 12 mil espectadores.

Se é verdade que “todos os caminhos levam a Roma”, os melhores passam pelo Bom Retiro. Este é o madrilenho, outrora passeio dos nobres, hoje um jardim botânico aberto à visita de todos e à pesquisa científica.

Toledo

Nem sempre Madri foi capital do Reino da Espanha, na Idade Média era itinerante. No século 12 Toledo foi escolhida pelos reis cristãos e viveu 400 anos em Harmonia entre os bairros judeu (à esquerda), cristão e muçulmano. Até a conversão forçada ou expulsão de 1492.

Dois prédios de sinagogas que subsistiram viraram igrejas e são hoje museus. A mesquita tornou-se sede prisional e foi bombardeada na guerra civil, sendo hoje também um centro histórico.

Toledo

A Catedral Primaz de Toledo tardou 300 anos para ser erguida e tem em dua decoração peças de ouro trazidas das Américas. Alguns de seus cardeais estão enterrados na nave e sob o teto que encima as lápides fica pendurado o respectivo chapéu. Muitas capelas ornam as laterais, construídas por famílias ricas que lhes dão nome.

Dotada de três órgãos monumentais, tem o coro emparedado ao centro, separando o povo do altar.

Pablo Picasso viajava uns 80 quilômetros de Madri a Buitrago de Lozoya para cortar o cabelo. Em vez de pesetas, o profissional recebia em troca do seu serviço uma gravura. Desse escambo surgiu a exposição permanente da pequena cidade, com 67 gravuras do artista.

Burgos

Este é o passeio dos burgaleses. O centro de Burgos – a cidade do povo, em tradução livre- e suas muitas igrejas e conventos é também patrimônio da Humanidade. Um povo conservador, dizem, pois foi o berço da ditadura franquista sobre a Espanha.

Barcelona

A terra de Miró é Gaudí tem muitas obras deles à vista dos transeuntes. A Igreja projetada pelo arquiteto catalão tem três faces, a primeira, o nascimento, contou com sua supervisão direta. A segunda, a morte, foi deita por seus discípulos, e terceira pende de derrubar os prédios residenciais ao seu lado.

A antiga praça das touradas que fica ao lado da Praça Espanha é hoje um centro comercial com vasta vista panorâmica na cobertura.

Barcelona

Na Colina dos Judeus de Barcelona funcionava um antigo cemitério, fora dos muros da cidade. Hoje não há mais muros e o parque foi sede olimpica, cujos palácios esportivos foram convertidos em museus, escolas e piscina ao públicos.

A vila olimpica foi construída em antigas fábricas desativadas e hoje é habitada por catalães que vivem próximos aos portos da cidade.

Zaragoza

Zaragoza é sede do departamento autônomo de Aragón, que deu nome ao rei Felipe, marido de Isabela, a católica, que unificaram a Espanha sobre o seu cetro. Fica a meio caminho entre Barcelona e a capital de reino. A cúpula verde, amarela, azul e branca da portentosa Catedral não teria relação com o Brasil, asseguram, apesar de o país ser incluído entre os membros da “hispanidad”.

A cidade foi fundada pelos romanos de Júlio César antes de Cristo e a Igreja do Pilar, na Praça homônima, mostra a fé predominante até hoje. Mas, como na maior parte do país, também na terra de Goya é ao período de ocupação árabe que se credita a chegada do saber e das artes.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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