
Em Outubro de 1989, nas páginas da Hora do Povo, Denoy de Oliveira, que dá nome ao teatro da União Municipal dos Estudantes Secundaristas em São Paulo, nos legou uma coleção de histórias de cinema.
Vamos à [s t] elas, em ordem cronológica de publicação. Para ler cada uma delas na íntegra, basta clicar na foto ou no título em destaque.
Vamos hablar com los hermanos? Começamos a integração com a América Latina. Para o cinema isso é fundamental. É um sonho antigo. Ainda há poucas semanas reuniram-se representantes do México, Brasil, Cuba, Peru e Colômbia.
Sabedoria do mercado é papo de colonizado. No Brasil a única indústria que tem que ser tão porreta quanto a importada é o Cinema. Os dois produtos estão colocados em paralelo e para imediata comparação. Até quando no programa do filme estrangeiro, passa um trailler nacional.
O cinema do mundo em São Paulo. Embora todos os filmes sejam obrigatórios, destacamos “sexo, mentiras e vídeotapes”- assim mesmo em minúsculas – (EUA – 89), de Steven Sodebergh, recuperando a verdade para a imagem.
Máquina bem mais que mortífera. O filme tem todos os ingredientes para você levar um bruto impacto nos peitos, nos tímpanos e na retina. Espaços em todas as mídias. Casas cheias. Esse é o filme que o povo está querendo ou é o filme que estão querendo que o povo queira?
Discurso privatista gerou o buraco negro. como esquecer as “brilhantes” teses do sr. Celso Furtado para o Cinema Brasileiro, quando esteve na frente do Ministério da Cultura? Eu mesmo denunciei o “buraco negro” que se aproximava e responsabilizei o Ministério pelo desmantelamento do CB.
Canto geral do cinema por um mundo mais humano. Os cineastas do mundo sabem da existência e aguardam a Jornada da Bahia, por seu caráter de liberdade e independência, impondo aos filmes apenas o seu canto geral: “Por Um Mundo Mais Humano”.

Leo Leone: um feiticeiro da imagem. Leone assina a Direção de Arte de “O Baiano Fantasma”. E quem sabe do nosso trampo, valoriza o criador do visual de um filme. E eu tinha muitas exigências no “O Baiano…”.
Deu cupim na perna da TV Pirata.
Gosto do humor da TV Pirata, que além de situações e “gags” incríveis, tem um dado que toca na minha emoção: seus atores. Mas, justo pelo pique do programa, é inaceitável sua desatualização no tocante aos filmes de curta.
“Hiroshima Mon Amour” e os filmes da Mostra. O mercado de vídeo pode vir a ser o grande orientador para as produções futuras. A multiplicação das fitas vendidas, o crescimento das locadoras, os aparelhos que proliferam e a proximidade de grandes lançamentos…
“Asas do Desejo” de todos nós. Loucura! Maravilhosa loucura! Vitalidade do cinema, força da criatividade sobre as fórmulas e receitas que alijam do mercado filmes incríveis como, por exemplo, “Frida”, de Paul Leduc, que não entendo por que ainda não passou no Brasil.
Uma brisa afagou a humanidade: Joris Ivens. Projetavam “Chuva”, que ele fez em 1929. Impressões de uma tarde chuvosa nas ruas de Amsterdam. Gotas, riscos d’água, poças, guarda- chuva cruzando na tela, respingos. Um poema tecido em imagens preto e branco.
O que filmar, eis a questão. Cacá Diegues: “Eu vejo cineastas falando, ‘eu vou fazer um filme em inglês’, ou ‘vou fazer um filme com a TV espanhola’, ou ‘eu vou fazer um filme barato’. Não vejo cineasta nenhum dizendo ‘eu vou fazer um filme sobre o amor’.
O de casa tem de ser melhor. A exigência em casa é sempre muito maior. A intimidade parece apagar qualidades e os defeitos, estes, sim, pulam, esborracham contra os nossos olhos. Dia desses fiquei espantado com a indiferença de alguns sobre o trabalho de Murilo Salles “Faca de dois gumes”.
Batmanias, Batemretirada, que chegou o Batdólares. Drapejando nas telas a capa do Morcego Negro. Quem pode fugir, fuja!, que o morcegão promete massacre total.













