
O chanceler soviético Andrei Gromyko chefiou a delegação do país à 145º sessão plenária da Organização das Nações Unidas, que teve lugar em Novembro de 1947, cerca de 30 meses após a vitória aliada sobre o nazismo na Europa.
Fazendo referência aos sofrimentos impingidos aos judeus, que pereceram aos milhões nas mãos dos hitleristas, o representante reconheceu como legítimo o direito do povo judeu à uma Pátria e verificou que muitos deles ainda perambulavam pela Europa sem encontrar lugar para se fixar e estabelecer sua vida.
Com relação à Palestina, ele registrou que tanto a população árabe como judaica eram favoráveis ao fim do mandato britânico, que fazia, há tempos, gastar o dobro em segurança pública dos ocupantes em relação a serviços básicos de saúde e educação do conjunto dos moradores.
E concluiu asseverando que ambos tinham raízes históricas no território e o país “converteu-se em uma pátria de dois povos”, que ocupam igualmente posição de destaque tanto no plano econômico como cultural.
Descartando o par de hipóteses de constituir um Estado mononacional, frustando os interesses de um dos povos em favor do outro, Gromyko debruçou-se sobre a questão da construção de um Estado binacional ou dois países, cada qual sede de um dos povos envolvidos. A preferência soviética pela solução mais integrada lhe pareceu de difícil adoção, em razão das tensões nacionais entre judeus e árabes palestinos, optando por apoiar a solução dos dois Estados, solução recomendada pela Comissão Especial que avaliou a questão da Palestina ocupada pelo Reino Unido, também membro da ONU.

É de conhecimento geral que a decisão final, sob a presidência do Brasil, foi tomada com o voto de minerva de Oswaldo Aranha. Logo depois era criado o moderno Estado de Israel na área delimitada pela ONU e teve início a primeira de muitas agressões de lado-a-lado, a chamada Guerra da Independência. Os conflitos arrastam-se por quase noventa anos.
Os discursos de Gromyko constam de anexo à Jornalismo e Revolução no Século 20, de Dina Lida Kinoshita, bem como da ata da 125ª Sessão da ONU, de 26.11.1947.

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