João Roberto de Jesus Filho

A eleição de Donald Trump, quatro anos após a derrota, levanta questões intrigantes sobre a relação entre os EUA e o resto do mundo. Trump representa uma guinada nas prioridades norte-americanas, que está impactando diretamente alianças, economias e disputas de poder globais, com reflexos importantes para o Brasil, BRICS e outros países em desenvolvimento.
- O papel econômico dos EUA e o custo da OTAN
Trump há muito tempo questiona a relevância e o custo de manter a aliança com a OTAN. Enquanto para os EUA os gastos com essa organização são vultosos, para a Europa, que depende da segurança oferecida, essa parceria é essencial. Para Trump, o gasto é “quirera”, e ele não vê problema em cortar ou reduzir drasticamente esse apoio, principalmente ao perceber que pode desviar investimentos para outros aliados mais convenientes. - Substituição de importações e o impacto na indústria norte-americana
Trump calcula que é mais barato subsidiar a produção interna dos EUA e importar alimentos e matérias-primas de países como Brasil e Argentina do que manter gastos militares e alianças estratégicas que, para ele, são questionáveis. Isso enfraquece a relação com a Europa e amplia a dependência norte-americana do mercado latino-americano. - Impacto geopolítico para os BRICS
Do ponto de vista dos BRICS, especialmente China e Rússia, Trump representa uma oportunidade única para aumentar a influência dessas nações na Europa e em outras regiões que tradicionalmente eram áreas de influência dos EUA. A relação de Trump com o comércio internacional, marcada pelo protecionismo e pela tentativa de encarecer produtos chineses, pode inclusive fortalecer marcas como Tesla e Apple internamente, mas também torna os EUA mais vulneráveis economicamente. - O jogo arriscado dos subsídios e a individualização da política
Trump trouxe uma mudança fundamental à política americana: a individualização do poder. Ao invés de ser uma política coletiva dos partidos, o “trumpismo” é uma ideologia centrada nele, que cooptou o Partido Republicano. Esse movimento é histórico e reflete uma realidade interna dos EUA: a ascensão de lideranças carismáticas, o que pode minar a democracia norte-americana, semelhante ao que se observa em países com governos autoritários. - Implicações para o Brasil e América Latina
Para o Brasil, a política trumpista pode ser uma oportunidade e um risco. Por um lado, abre portas para exportações de commodities e para uma diplomacia mais pragmática, mas, por outro, torna o país vulnerável a políticas protecionistas e autoritárias. As ameaças de Trump podem parecer um tiro no pé para os EUA, mas, para países em desenvolvimento, elas exigem atenção e cautela.

Resumo: A geopolítica da segunda onda Trump pode ser promissora para o Brasil e BRICS no curto prazo, mas carrega riscos de longo prazo. A relação com os EUA, que já foi hegemônica, pode se transformar em um jogo de interesses onde cada um olha para o próprio umbigo.

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