
Em 17 de Novembro os profissionais de Engenharia, Agronomia, Geociências e os tecnólogos vão renovar as direções do sistema Confea/Creas. Em São Paulo, o Eng. José Manoel, da Ferrofrente, é candidato de oposição ao Conselho Regional e concedeu a entrevista abaixo.
1) Qual o papel social do sistema Confea/Creas e por que as profissões regulamentadas são importantes para o desenvolvimento nacional?
A resposta direta a essa pergunta é dizer que a nossa atividade não é só uma atividade de interesse especificamente de uma ou algumas categorias da engenharia, da Agronomia, das geociências e dos tecnólogos. É muito mais do que isso. Nós temos uma função social que se expressa por meio das obras de engenharia que a gente faz. Desde uma casa; um viaduto; uma ponte, uma estrada até obras também urbanas e atividades da área de engenharia agronômica, na área rural ou mesmo na área urbana. No combate a problemas de enchentes; na previsão de questões importantes que envolvem o meio ambiente, de forma mais ampla; a poluição das águas; dos ares etc. É uma questão social importante.
Se você fizer uma comparação, quando você trabalha com meio ambiente, você reduz a fila de espera nos hospitais, clínicas e postos de saúde. Você tira a pessoa daquela vida, onde a poluição do ar contamina o pulmão dela. Não é só pensar no aquecimento global na esfera mais planetária, mas também no dia a dia com os particulados emitidos pelos veículos em grandes centros que prejudicam a saúde das pessoas. Essa é a questão social. Há uma conectividade entre os aspectos sociais e os ambientais e os nossos aspectos profissionais em todas as atividades.
Por exemplo, quando a gente pensa na pessoa que trabalha com geociência pensa em geoprocessamento. Como você pode pensar hoje e planejar alguma coisa sem olhar panoramicamente de cima, com as imagens de satélite aproveitadas numa boa base cartográfica que possibilitem intervenções organizadas no espaço, seja no meio rural ou no meio urbano.
São pequenos exemplos concretos de como a gente pode fazer. Até as grandes obras de engenharia, para pensar em grande escala, quando você vai fazer uma hidrelétrica, quando pensa em energia 200, solar e a conectividade de tudo isso. Você pode pensar como buscar petróleo no pré-sal. O Brasil buscou a sete mil metros de profundidade, algo que ninguém acreditava. Coisa que a própria Shell não acreditava que nós iríamos conseguir. Nós fazemos aviões e exportamos pela Embraer. Além disso, você tem a Embrapa fazendo coisas incríveis, que reduzem o potencial de fome da família levando o alimento mais barato para mais gente. Outra coisa. A luta pelas ferrovias é um exemplo de atividade pela engenharia que pode organizar o transporte conectado com rodovias, ferrovias, hidrovias e dutovias e tudo que precisar de transportes não só de cargas, mas também de pessoas.
2) O Crea-SP cumpre a contento a função que a sociedade dele espera?
Não atende absolutamente nada do que a categoria dos engenheiros precisa. Um exemplo disso é o combate à contratação irregular abaixo do piso profissional, com atividade de engenheiro, mas com nome de analista. Existe uma porção de empresas públicas e privadas e também prefeitura que fazem isso. Ele está esperando o quê? Ele pode de ofício, a partir das informações que são publicadas no Diário Oficial das prefeituras, da própria mídia, já que as empresas publicam isso, ir para cima. Com a gente, o CREA vai agir contra a contratação abaixo do piso salarial. Não podemos admitir. Temos fé pública e é preciso exercer essa atividade de fé pública com altivez e com firmeza. Nós não estamos presentes numa fiscalização preventiva, que se organiza ao longo do tempo, e só depois do fato consumado o CREA vai lá e corre atrás do que eu posso chamar de prejuízo. Esses são pequenos exemplos, mas posso dar outros.
3) Como fazer para tornar mais efetivo o órgão, não só no interesse dos profissionais inscritos, mas da sociedade brasileira?
Tendo coragem e atitude e organizando uma base correta. Possuímos ótimos funcionários públicos, que são celetistas, ou alguns até que são concursados nos CREAs. O CREA-SP tem muita gente boa e precisa colocar todo mundo para trabalhar. Hoje, eles estão desmotivados. O conselheiro do CREA tem um cargo honorífico, tem uma função meramente burocrática, sem o apoio dessa base de profissionais, que podem fazer muito mais do que estão fazendo. Vamos organizar tudo isso.
Vamos tratar da associação ou das associações espalhadas pelo interior de São Paulo, Capital, Litoral e Grande São Paulo também de uma maneira respeitosa. Hoje, as associações são obrigadas a pagar 10% para uma outra associação que inventaram. Foi criado um mecanismo que nós chamamos de rachadinha. Isso vai acabar. Vamos fazer uma auditoria pública, para saber de forma clara para onde foi o dinheiro do CREA-SP. Faremos também uma na esfera jurídica para saber que contratos são esses, com dispensa de licitações, licitações mal trabalhadas, mal resolvidas e com o mesmo dinheiro fazer muito mais.
Assim que vamos fazer com absoluta transparência. Vamos criar o “Disque-Presidente” que vai falar diretamente conosco e eu vou fazer muitas incertas, pois eu quero ouvir o que pensa e reclama e quais são as dores da nossa categoria. Vamos criar um site muito mais rápido, muito mais transparente. O site do CREA-SP, hoje, é um horror, com dificuldades em todos os níveis para preenchimento de ARTs. Recentemente, eles até festejaram a redução do tempo, mas ainda está muito mal resolvido.
Vamos acabar com essa história de mandar para o protesto o nome do engenheiro que, por acaso, esteja em atraso com a anuidade. Vamos chamá-lo e oferecer oportunidades de negociação. Lógico que não haverá redução do valor, pois isso é dinheiro público, mas vamos ter mais respeito e não mandar para o protesto sem que o engenheiro saiba, inclusive. Pelo site, oferecer uma negociação feita de maneira automática. A pessoa pode pagar desse jeito, ele entra lá e faz uma simulação facilitando a vida de todo mundo. São coisas simples, necessárias e importantes. Existem situações mais complexas com mudanças de leis, de conduta, mas acima de tudo é a atitude que o CREA-SP vai mudar. Vamos ter uma diretoria para atender a sociedade verdadeiramente e a Engenharia em todas as modalidades de fato e não para atender um grupo que eu chamo de grupelho.

O voto é obrigatório e remoto para os profissionais inscritos. Ao lado de José Manoel no Crea-SP, conheça também Amaury Monteiro, para o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia.

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