Dia Nacional do Samba

Na cadência do samba

Luiz Bandeira

<—- ouça na voz de Nelson Gonçalves

Samba
Representa uma nação
Samba
Orgulho da raça
Retrato de um povo
Que tem alma e coração

Que bonito é
Ver o samba no terreiro
Assistir um batuqueiro numa roda improvisar

Que bonito é
A mulata requebrando, os tambores repicando
Uma escola a desfilar

Que bonito é
Pela noite enluarada, numa trova apaixonada
Um cantor desabafar

Que bonito é
Gafieira, salão nobre
Seja rico seja pobre
Toda gente a sambar
O samba é romance
O samba é fantasia
O samba é sentimento
O samba é alegria

Bate que vai batendo a cadencia boa que o samba tem

Bate que repicando o pandeiro vai tamborim também

O samba de Luiz Bandeira foi gravado em 1956. Um lustro mais tarde, Ataulfo Alves compôs samba homônimo igualmente imortal. Na história, o primeiro deles ficou conhecido como Que Bonito É.

Agora oficial, relembre também Basta! A liberdade veste Gaviões, o enredo 2021 da Gaviões da Fiel.

Emprego, emprego, emprego

Logo após reconfirmado no cargo por mais quatro anos, o prefeito paulistano Bruno Covas estabeleceu sua prioridade de governo: “nós temos que fazer da nossa gestão mantra na busca de emprego, emprego, emprego e busca de oportunidades”.

A tarefa não será fácil. O aumento de quase 400 mil vagas com carteira assinada em outubro não tem nada de extraordinário, como pretendeu na imprensa o Ministro Paulo Guedes. No ano, foram fechados 171 mil postos de trabalho no território nacional, parte importante na capital paulista.

Mesmo assim, há dúvidas quanto aos números do Ministério da Economia:

Hora do Povo: “Para especialistas, apenas a mudança nos critérios de dados e alta subnotificação podem explicar os resultados do Caged – já que o país ainda enfrenta a pandemia e a economia vai de mal a pior.

Nos primeiros meses de resultados positivos, o economista [Daniel Duque] da FGV comparou os dados no MTE com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para levantar a hipótese de subnotificação do Caged. Após a apresentação das informações de outubro, Duque reafirmou que mudanças na compilação dos dados pode ser responsável por essa discrepância: ‘é possível que as mudanças trazidas no Caged no período da pandemia, inclusive com estabelecimentos mais fracos em geração de vagas saindo da amostra, estejam interagindo com esse cenário conjuntural’.

30 milhões de brasileiros sem trabalho

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad-Contínua), divulgada pelo IBGE, afirma que o desemprego no país chegou a 13,8 milhões de pessoas no trimestre encerrado em agosto. Nesse período, o emprego com carteira assinada caiu ao seu menor nível desde 2012, para 29,385 milhões – 3,7 milhões a menos do que no período anterior.

Em meio à explosão do desemprego no país, que entre desempregados, desalentados e os que ficaram de fora da força de trabalho, atinge mais de 30 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, Bolsonaro comemorou os resultados do Caged de outubro em cerimônia no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (26). Segundo ele, Paulo Guedes está fazendo um bom trabalho e é ‘insubstituível’”.

Desemprego atinge taxa recorde de 14,6%.

“Mais 1,3 milhão de desempregados no terceiro trimestre, diz IBGE

A taxa de desemprego do país saltou para um novo recorde no terceiro trimestre do ano, alcançando 14,6%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta sexta-feira (27). Isso significa que 14,1 milhões de brasileiros estavam procurando emprego no período de julho a setembro.

“Essa é a maior taxa registrada na série histórica do IBGE, iniciada em 2012, e corresponde a 14,1 milhões de pessoas. Ou seja, mais 1,3 milhão de desempregados entraram na fila em busca de um trabalho no país”, informou o IBGE.” (+62 linhas, Hora do Povo)

Urgem a manutenção do auxílio emergencial, enquanto perdurar a crise sanitária e econômica; a adoção de um pacto nacional pelo emprego; e a retomada do desenvolvimento nacional. Autoridades, empresários e trabalhadores têm muito a contribuir nesse sentido.

Esperança de Vida em 2019

Fernando Nogueira da Costa provê súmulas sobre o Síntese dos Indicadores Sociais – uma análise das condições de vida da população brasileira, estudo divulgado pelo IBGE mês passado, sobre a realidade de 2019. Aqui, a melhor das notícias: estamos vivendo cada vez mais no Brasil. Ultraliberais enxergam o fato como fonte de problemas, que as relações econômicas de hoje não se mostram capazes de resolver. Daí as crescentes sobretaxas previdenciárias, inclusive sobre quem já se aposentou.
A mim, apontam-se mais 13 a 14 anos, meta que pretendo dobrar e dobrar, pois como diz o poeta, “ninguém quer a morte, só saúde e sorte”. E um Estado social que proveja a todos não só comida, mas também diversão e arte.
Nogueira também disseca os capítulos sobre educação e trabalho, mostrando discrepâncias entre segmentos sociais que minam a igualdade de oportunidades que o Brasil pode oferecer a seus filhos.

Blog Cidadania & Cultura

Uma pessoa nascida no Brasil em 2019 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,6 anos. Isso representa um aumento de três meses em relação a 2018 (76,3 anos). A expectativa de vida dos homens passou de 72,8 para 73,1 anos e a das mulheres foi de 79,9 para 80,1 anos.

A probabilidade de um recém-nascido não completar o primeiro ano de vida era de 11,9 para cada mil nascimentos, ficando abaixo da taxa de 2018 (12,4). Essa caiu 91,9% desde 1940, quando chegava a 146,6 óbitos por mil nascimentos.

A mortalidade na infância (crianças menores de 5 anos) também declinou, de 14,4 por mil em 2018 para 14,0 por mil em 2019. Das crianças que vieram a falecer antes de completar os 5 anos de idade, 85,6% teriam a chance de morrer no primeiro ano de vida e 14,4% de vir a falecer entre 1 e 4 anos…

Ver o post original 1.439 mais palavras

A sonegação de impostos e o descumprimento de direitos

Não se trata aqui de restringir o direito constitucional de quem quer que seja à judicialização do que lhe pareça direito, menos ainda à União, zeladora do bem e do caixa públicos. Mas o levantamento trazido pela Folha de São Paulo aponta uma controvérsia no mínimo curiosa.

O precavido administrador de riscos sabe que uma demanda judicial pode lhe ser favorável ou adversa com chances remotas, possíveis ou prováveis, vez que certeza prévia não há do resultado da lide.

Colocado o conceito geral, o que nos deparamos na esfera federal?

Um estoque de R$ 2,4 trilhões de demandas judiciais classificadas como de perda provável ou possível, que representam metade do risco fiscal reconhecido pelo governo. O valor é praticamente o mesmo que o inscrito na dívida ativa da União, em razão de autuações fiscais a contribuintes, das quais estima-se na sexta parte o valor recebível.

Pelo menos R$ 800 bilhões representam direitos que a justiça deve reconhecer, segundo a avaliação do próprio Executivo. Um valor que pertence aos reclamantes, mas que está no bolso dos sonegadores, nem tudo no Brasil, nem tudo produto do trabalho lícito.

Assim, de um lado o Estado resiste na Justiça a pagar o que acredita que deve e, de outro, não consegue receber o saldo devido por parte daqueles que têm a obrigação legal de contribuir aos cofres públicos.

Processa-se assim, e não de hoje, uma estranha, indesejável e crescente transferência de renda dos cidadãos a oportunistas que se locupletam do dinheiro público.

Vamos falar sobre o Brasil? – edição de aniversário

Faz um ano que inauguramos esta coleção de artigos, autorais e comentados, intitulada Vamos falar sobre o Brasil?. Foram 43 mil leituras das 453 primeiras publicações, da parte de 27,5 mil visitantes brasileiros e de 56 outros países nos cinco continentes. Um resultado gratificante e, ao mesmo tempo, animador para a nova temporada. Espero estar e seguir contribuindo para uma Pátria livre no Brasil.

+preferidas do público

preferidas da [auto] crítica

Três viagens (eu, meu pai e Getúlio Vargas)

Engels e Lenin, dois gigantes da Humanidade

Sentido horário: Madalena Guasco, Ana Maria Prestes, Fábio Palácios, José Loguércio e Raul Carrion

Quando sob a coordenação da cientista social Ana Maria Prestes Raul Carrion explicou a que veio a Fundação Maurício Grabois há uma semana – “sem teoria não há prática revolucionária” -, renovamos a certeza de que é próprio da espécie produzir indivíduos de grande capacidade e, ao mesmo tempo, generosidade imensa para com todos os seus semelhantes.

A diferença de exatos 50 anos de idade entre Friedrich Engels e Vladimir Ulianov, o Lenin, permitiu a reunião de José Loguércio, Fábio Palácios e Madalena Guasco para avaliar e expor a obra de vida do hoje bicentenário alemão e do sesquicentenário russo.

Friedrich Engels cedo se ligou à classe operária, filho que era do dono da fábrica, e entendeu o seu papel na superação das relações de exploração do homem pelo seu semelhante.

Não foi pequeno o seu trabalho de organização das mais de 2.400 páginas de O Capital, a obra de Marx, sequenciando manuscritos desenvolvidos ao longo da vida de seu amigo – dois dos livros postumamente – e acrescentando apenas o que lhe pareceu imprescindível ao entendimento. Mas sua contribuição teórica e prática a seus contemporâneos e sucessores não se resumiu a isso.

Foi Engels que trouxe a utopia socialista à possibilidade concreta, científica, bem como formulou os conceitos do materialismo histórico e dialético e de Nação, família e propriedade, organização basilar à superação, pelo capitalismo, das relações feudais e, ao mesmo tempo, objeto de exploração de classe em nível internacional.

Mas não lhe faltou tempo nem energia, em um tempo de parcas comunicações a distância e mobilidade internacional, para dirigir a 2ª Internacional e levar o marxismo a partidos revolucionários, em diversos países da Europa.

Lenin, por sua vez, contou com as descobertas de Marx e Engels para estudar as contradições próprias do Império Russo – ao mesmo tempo absolutista e periférico dentre as nações do século 19.

Sua obra prática é bastante conhecida – a derrocada do czarismo, a revolução proletária em um país outrora atrasado e agrário e a adoção de políticas transicionais ao socialismo, sob controle operário. Mas igualmente destacam-se suas reflexões sobre os problemas do seu tempo, atuais pelo natural desenvolvimento das contradições das relações capitalistas já antevistas por Marx e Engels: o imperialismo, a fase superior do capitalismo, e o esquerdismo, a doença infantil do comunismo, além de tratar de diversas questões filosóficas.

Quem é mais jovem pôde aproveitar as realizações teóricas e práticas para levar, em 40 anos, a União Soviética do arado ao espaço, liquidando a agressão nazifascista no interregno; construir nações independentes sob a ameaça atômica da maior potência imperialista do pós guerra, como em Cuba, na Coreia e no Vietnam; e assumir a liderança econômica global nos tempos atuais, sob o controle do Estado chinês.

Com a elaboração teórica acumulada e as experiências já vividas, podemos fazer do Brasil uma Nação independente, desenvolvida e preparada, a seu modo, para construir o socialismo.

Assista na TV Grabois a aula magna na íntegra, um aprendizado que vale a pena aos que desejam um mundo melhor.

Reproduzido na Hora do Povo.

Bancos Desvalorizados: Vendas de Partes acima da Soma do Todo

Certamente não é trágica a situação dos grandes bancos brasileiros ante à pandemia. Um olhar simples ao gráfico que ilustra a matéria original mostra ganhos acionários – leia-se especulativos – superiores até a 30% no ano, para quem vendeu em dezembro e recomprou em março/abril, É fato que os lucros caíram no segundo trimestre em relação aos períodos predecessor e seguinte deste ano, mas ninguém embolsou menos de R$ 1 bilhão por mês, considerados os quatro maiores bancos em operação no país.
Nogueira trata também das reestruturações havidas, em que novos atores dos mesmos grupos e donos fazem parecer maior concorrência quando, de fato, significam maior concentração de renda em um número mais restrito ainda de bolsos; afinal, computador não recebe comissão de vendas de produtos financeiros.

Blog Cidadania & Cultura

Talita Moreira (Valor, 19/11/2020) informa: os três maiores bancos privados brasileiros estão neste momento debruçados sobre processos de reestruturação, e não há coincidência nenhuma nisso. Com lucros em queda e desempenho das ações fraco desde o início da pandemia, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander buscam formas não apenas de destravar o valor de alguns ativos, mas também de gerar mais eficiência.

O passo mais recente foi dado pelo Santander. O banco anunciou estudar separar a credenciadora de cartões Getnet em uma empresa à parte, que deverá ter ações listadas na B3 e ADRs nos Estados Unidos.

É estratégia parecida com a pretendida pelo Itaú dar à sua participação na XP Investimentos: segregar essas ações em uma nova empresa. Depois, será cindida e terá o capital aberto. Os especuladores passam a valorizar à parte aquele ativo — forma de manutenção de riqueza — antes incorporado na carteira do banco.

Nos…

Ver o post original 830 mais palavras

Taxa de transmissão da covid no Brasil é a maior desde maio

O Universo Online traz estudo do Imperial College, retratado em matéria do Estadão, apontando índice para lá de preocupante. Não importa se é primeira ou segunda onda, já se lê notícias de alta ou mesmo total ocupação de leitos nas redes hospitalares e vidas sendo prematuramente encerradas por um ser microscópico.

A taxa de transmissão do novo coronavírus (Rt) no Brasil nesta semana é a maior desde maio, de acordo com monitoramento do centro de controle de epidemias do Imperial College de Londres, no Reino Unido. O índice passou de 1,10 no dia 16 de novembro para 1,30 no balanço divulgado nesta terça-feira, dia 24. A última vez que a taxa de transmissão se aproximou deste patamar no País foi na semana de 24 de maio, quando atingiu 1,31.

A taxa de contágio (Rt) indica para quantas pessoas um paciente infectado consegue transmitir o novo coronavírus. Quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa. Isso representa o avanço da doença. (+17 linhas, Uol)

Não importa se a onda é nova ou ainda a primeira. É imprescindível

manter o distanciamento social, usar máscara e álcool-gel!

#salvarvidas é o centro da luta! Mantenha a prevenção, #vaitervacina!

O esgotamento da pós-democracia neoliberal

Homenagem a Jacinto, o carregador de café, no Porto de Santos

Em sua coluna semanal Trabalho Além da Barbárie, no Justificando, Vladimir Paes de Castro inspira-se na Velha Roupa Colorida de Belchior para trazer suas reflexões acerca dos novos tempos que se anunciam.

“Você não sente nem vê

Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo

Que uma nova mudança em breve vai acontecer”

Os movimentos que levaram às derrotas dos setores político-econômicos que afrontam a dignidade humana mundo afora – EUA, Bolívia, Chile e inclusive o Brasil e seu primeiro turno eleitoral – combinados com o bom exemplo chinês trazem alento à superação daquilo que o magistrado chama de pós-democracia. Ele explica:

Direitos fundamentais, e principalmente os direitos sociais do trabalho, são habitualmente destruídos pelos agentes estatais que representam os interesses do “deus mercado”. O ser humano é coisificado, sendo apenas mais uma mercadoria negociável. Não há limites para a relativização de direitos fundamentais, principalmente quando são empecilhos para atender determinado interesse econômico.

E demonstra:

Os representantes máximos do neoliberalismo no Estado Brasileiro permanecem na mesma toada pós-democrática, com destaque para o papel do Poder Judiciário, principalmente do Supremo Tribunal Federal. Toda sorte de ataque ao nosso sistema de direitos fundamentais sociais do trabalhador está sendo chancelada pela maioria do plenário da corte, a exemplo de inúmeras inconstitucionalidades da Reforma Trabalhista e ainda mais recentemente o fim do salário isonômico para os trabalhadores terceirizados. 

Vladimir conclui sua peça magistral animado pelo Juízo Final de Nelson Cavaquinho e Elcio Soares:

“O Sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente”

Castro resume na esperança de “que todos, independente de ideologia, tenham absoluto compromisso com os princípios fundamentais de nossa Constituição, para que possamos coletivamente sempre frear qualquer sinalização de mudanças antidemocráticas que nos joguem novamente na barbárie”.

O cearense Vladimir Paes de Castro é juiz do Trabalho do TRT21-RN, membro da Associação de Juízes para Democracia (AJD) e da Associação Nacional de Magistrados da Justiça  do Trabalho (ANAMATRA)

Leia a coluna na íntegra.