Henry Sobel, a democracia e os direitos humanos no Brasil e no mundo

Jayme Brener e o Projeto Henry Sobel trouxeram ao vivo um pouco da obra e da pessoa do rabino mais conhecido do Brasil, não só pelo seu inconfundível sotaque de imigrante e vasta cabeleira sempre coberta pela kipá (solidéu), mas pela sua colaboração judaica exemplar à Pátria brasileira.

A noite do 2º aniversário de do desaparecimento físico de Sobel contou com a apresentação de Fernando Navarro e saudações do ex-chanceler Celso Lafer, do presidente da Congregação Israelita Paulista Mario Fleck, que o classificou como o maior representante que a comunidade judaica já teve no Brasil, e de sua orgulhosa filha Alisha, além da participação especial de rabinos que com ele conviveram.

Sobel chegou ao Brasil em 1970 e sempre esteve na vanguarda da luta pela libertação do Brasil e o respeito de todos e a todos. Como dizia, “não precisamos tornar o mundo mais judeu, mas mais humano”.

O professor da História do Brasil em universidades dos EUA e de Israel, James Green, viveu no Brasil dos anos de chumbo. Contou que Sobel havia participado da missa ecumênica quando do assassinato do estudante Alexandre Leme, na Catedral da Sé; dois anos depois, em 1975, cuidou do conforto à família de Vladimir Herzog, quando determinou que a fotomontagem do “suicídio” era uma farsa da ditadura – o jornalista foi assassinado nos porões do Doi-Codi. Também foi Sobel, historiou, quem estendeu a mão aos palestinos, sempre em busca da paz e do entendimento. Green chamou a todos a viver o exemplo do rabino no presente, por um Brasil e um mundo mais justo e igualitário, expressando sua fé de que Sobel, se vivo estivesse, defenderia hoje os valores democráticos novamente agredidos.

O ex-chanceler Celso Amorim, quando convidado a ir a Israel, recebeu de Henry Sobel um pedido para integrar a delegação brasileira. Assim procedeu, ajudando o Brasil no diálogo pela paz no Oriente Médio, para o Ministro deixou não só boa impressão da comunidade judaica brasileira como também um sentimento de alegria, esperança e paz. Dele também recebeu a sugestão, que o Brasil encaminhou e fez aprovar na ONU, de que “o racismo é incompatível com a democracia”.

Marcelise Azevedo, do Movimento de Juristas Negros, ressentiu a falta que faz Sobel na luta antirracista de hoje. Luta antiga do segmento nacional que chegou ao Brasil escravizado, cujos passos vêm dos quilombos.

Para Jayme Brener, do Projeto Henry Sobel, o rabino foi além do seu tempo, com uma dimensão profética: ao tempo que construía a comunidade judaica no Brasil, era suficientemente independente para pregar que a religião deve unir, não dividir as pessoas, que nascem iguais e devem ter direitos e oportunidades iguais.

Segundo Jayme, a biografia que está preparando vai chamar Henry Sobel, o judeu do Brasil.

Os que seguimos nos inspiramos em sua obra para “tornar o mundo mais humano” e o Brasil independente.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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