Ladislau Dowbor: a era do capital improdutivo (partes 1-5/15)

Ladislau Dowbor dispõe da vasta biblioteca digital gratuitamente acessível, que permite, inclusive, baixar sem custos a mídia de seus mais de quarenta livros.

Sua obra A Era do Capital Improdutivo, que corresponde ao período atual e final do desenvolvimento capitalista, serviu de base a um curso do Instituto Paulo Freire, não por acaso chamado de Pedagogia da Economia, com quinze aulas de dez minutos também gratuitas.

Vamos à sinopse do primeiro bloco de aulas:

Os recursos naturais do planeta Terra são limitados e têm sido exauridos em favor de um pequeno grupo humano. Além disso, mecanismos financeiros também condicionam a vida da imensa maioria, concentrando a renda que é produzida por família, em média, de R$ 11 mil mensais. O necessário é organizar de modo lógico e decente o uso dos recursos e a distribuição da riqueza socialmente produzida. Usar os recursos financeiros para o bem-estar das famílias, sem destruir o futuro dos nossos filhos.

Os organismos internacionais criaram 169 metas para fazer funcionar a economia de acordo com as necessidades humanas, sem destruir o planeta e a própria espécie; Porém o poder nacional parece estar sendo transferido ao mundo corporativo: 80% da produção está nas mãos de 737 grupos econômicos, a metade em posse de 147 deles – a maioria bancos estadunidenses ou europeus. Como resultado negativo, rendimento máximo sem produzir benefícios às pessoas e ao meio ambiente.

No topo dos 147 grupos sistemicamente importantes estão 28 gigantes que giram, em média, mais que o PIB do Brasil: 1,8 trilhão de dólares. São grupos que atuam globalmente em até164 setores da economia, orientados à maximização do lucro, acima do interesse social, ambiental e da satisfação do cliente. Controlam e corrompem governos nacionais e contam, só nos EUA, com mais duas mil condenações ambientais. Um sistema que claramente não está funcionando a contento.

O processo decisório atende ao lucro em detrimento, muitas vezes, da técnica e da razão. Por exemplo, além dos conhecidos casos de Mariana e Brumadinho, a GSK passou a vender um antidepressivo autorizado pelo FDA como pílula de emagrecimento, pelo simples fato de que o lucro pelo crime superou a multa de 2,8 bilhões de dólares que recebeu pela infração à saúde pública. Há todo um mecanismo de desresponsabilização interna, que evitou prisões mesmo diante da crise financeira de 2008, provocada pela manipulação de taxas pelos grandes bancos.

Apesar da concorrência entre os 28 mandantes, há uma organização entre eles para conquistar benefícios comuns, como leis de proteção, ocultação de bens e redução de impostos. Os líderes do grupo que maneja USD 50 dos 63 trilhões do PIB global são recebidos, em países subservientes, com honras de Chefe de Estado; nessas visitas, capturam o governo, parlamentares e o até o judiciário nacionais.

Ladislau Dowbor é formado em Economia Política pela Universidade de Lausanne, na Suiça; Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, na Polônia (1976).

Atualmente é professor titular no departamento de pós-graduação da PUC-SP, nas áreas de economia e administração

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “Ladislau Dowbor: a era do capital improdutivo (partes 1-5/15)

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