Análise de geógrafos desmistifica a versão de que o agro é a maior força econômica brasileira

Dos R$ 7 trilhões produzidos em 2018, os serviços representam 55 %, a indústria 22% e o agronegócio 5%

A questão já havia sido abordada em O Agro é Pop?. Mas o estudo de Marco Antônio Mitidiero Junior e Yamila Goldfarb, da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), resumido em artigo de Tatiana Merlino para O Joio e o Trigo – jornalismo investigativo sobre saúde, alimentação e poder – quantifica bastante bem a contribuição da atividade primária para a economia brasileira.

Preliminarmente, Mitidiero e Goldfarb estabelecem o xis da questão:

Qual país rico e avançado alcançou esse status produzindo e exportando matéria-prima? Nenhum dos chamados países ricos desenvolveu sua economia sem investimentos pesados no setor industrial e de serviços, acompanhado por investimentos mais pesados ainda em educação, ciência e tecnologia, posicionando-se, a partir dessa estratégia, na divisão internacional do trabalho, da produção e do comércio.

Já ao dissecar o  artigo-base “O agro não é tech, o agro não é pop e muito menos tudo” , Tatiana assegura os números mostrarem o agronegócio como recebedor muitos recursos, em troca de uma contribuição para aquém de moderada ao país. Dos geógrafos, traz a conclusão: “nem do ponto de vista capitalista o país está no rumo certo. Isso porque o agro brasileiro é um tiro no pé do próprio desenvolvimento capitalista brasileiro”.

Vejamos o porquê.

É fato que a balança comercial brasileira é superavitária, mas “as exportações estão dominadas pela agropecuária e pela indústria extrativa, pela venda de matérias-primas, enquanto nas importações o domínio marcante está nas compras da indústria de transformação, que correspondem aos produtos manufaturados.”

Mesmo assim, a atividade agropecuária gravita em torno de 5% do PIB brasileiro, como mostra o quadro inicial desta matéria. Com fartos benefícios fiscais sobre as exportações, a propriedade rural e até mesmo à produção de agrotóxicos, o latifúndio concentra a maior parte do crédito agrícola e desempregou, não obstante a crescente produção nestes tempos de pandemia, mais 185 mil trabalhadores rurais.

Mais grave, entre os inúmeros exemplos que Merlino traz, é importar o básico arroz em país com tanta terra e água para plantar.

Como detalhado na série de artigos Superciclo de Comódites, há espaço para o agro crescer sem desmatar, se lhes aplicados recursos em logística. E, em torno dele, substituir a importação de “produtos de fácil fabricação nacional” por empregos no Brasil.

Marco Antonio e Yamila orientam: “um outro desenvolvimento, […] uma outra forma de produzir e distribuir” é preciso para transformar o “retrato do atraso” da economia brasileira.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: