Chico Lino, poeta

VAZIO

De generosa crueldade

A atualidade é plena

Poesia alivia a pena

Com a morte

Ninguém se conforma

Tudo que transcende

Nos transtorna

Quando deveriam promover os negros implodiram Palmares;

Quando deveriam apoiar povos indígenas deixaram aos azares;

Quando deveriam promover a saúde

Sequer saldaram;

Uma palavra ressoa

Nessa noite de estio

“Vazio”

O estropício

Não é esfinge

Quem não o decifra

finge

SAGA

Eu não serei povo
De qualquer outro país

Eu não sou de outra nação
Se não a brasileira

Eu não serei alemão
Como os pais dos pais
Da mãe de minha mãe

Tão pouco serei italiano
Como os pais do pai
De minha mãe

Não serei africano
Como os pais
Do pai de meu pai

Nem serei português
Lino ou Pinto

Serei sempre o estupro
Condescendido

Fruto do desfrute
Da miscigenação

No ventre da índia “bugre”
Apanhada a laço
Em verdes matas

Por um escravo liberto
Pai do pai de meu pai
No incontinente Brasil

O poeta paraibano e um pouco da sua obra

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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