Superciclo de comódites e os desafios da logística no Brasil (1)

A Fundação FHC realizou interessante debate com foco em comódites e logística no Brasil. A profusão de elementos trazidos pelos convidados recomenda tratar o assunto por partes.

Segundo a Wikipédia e a Mais Polímeros:

  1. Commodity ou, em português, comódite, corresponde a produtos de qualidade e características uniformes, que não são diferenciados de acordo com quem os produziu ou de sua origem, sendo seu preço uniformemente determinado pela oferta e procura internacional; e
  2. Logística compreende o conjunto de métodos e meios destinados a fazer o que for preciso para entregar os produtos certos, no local adequado, no tempo combinado.

Ciclo de comódites

Coube ao economista e conselheiro de administração de empresas de diversos ramos José Mendonça de Barros explanar sobre os produtos globalmente padronizados.

Segundo ele, o mundo está saindo da crise pandêmica devido ao sucesso da vacinação e, após uma queda do PIB global de 3,3% no ano passado, projeta um crescimento de 6% para 2021.

Mendonça avalia que a alta dos preços internacionais deve perdurar por pelo menos dois anos. O Brasil é ainda favorecido hoje pela valorização do real frente às moedas estrangeiras e a muito alta liquidez dos fundos financeiros ligados ao mercado de comódites.

O titular da MB Associados, produtor dos gráficos acima e ao lado comentou sobre as três espécies principais:

  1. a alta dos minérios, não só o de ferro mas também os ligados à agenda ambiental, como lítio e cobre, deve-se à forte retomada econômica dos países industrializados;
  2. os alimentos tiveram como fator novo o interesse chinês pelo milho, como fonte de ração para a criação suína, cuja carne é largamente consumida no país oriental; e
  3. a instabilidade do preço do petróleo, que já encontrou baixa importante no início do século deve-se à facilidade de os maiores produtores regularem o ritmo da extração e à gradativa substituição da fonte carbonizante por outras matrizes energéticas, como a eólica e a solar.

De acordo com Barros, o país tem ganhado dinheiro neste ciclo, no entanto é reduzido o impacto sobre o mercado de trabalho, em razão da tecnologia aplicada inclusive no campo, propiciando a concentração de capital. Uma bolha sujeita a ajustes, no próximo período.

Nos debates, acrescentou dois desafios: coibir a queima florestal e a mineração ilegal na Amazonia, pelos prejuízos tanto ao meio-ambiente como à imagem internacional do país; e a necessidade de outros setores da economia crescerem para gerar empregos.

Sentido horário: Júlio Fontana, Sergio Fausto, Frederico Bussinger e José Mendonça de Barros

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

3 comentários em “Superciclo de comódites e os desafios da logística no Brasil (1)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: