Guedes é Bolsonaro e vice-e-versa

Paulo Kliass, ao Sinal Aberto

Kliass explicou ao jornal da comunidade lusófona boa razão para a expressão Bolsoguedes, como se verá na síntese a seguir, que não substitui a leitura do artigo completo:

A eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República do Brasil em 2018 contou com o apoio fundamental dos grandes meios de comunicação e de parcela expressiva dos representantes do financismo no país. Afinal, se fosse apenas por sua carreira política anterior àquele pleito, ele dificilmente chegaria ao Palácio do Planalto. O ex-capitão do Exército escapou de ser expulso das Forças Armadas em um processo por indisciplina e terminou se candidatando a deputado federal em 1990. A partir de então, sua trajetória parlamentar seguiu por 7 mandatos consecutivos, sempre se apresentando como uma figura polêmica e um tanto exótica do campo ultra conservador, que defendia temas como a pena de morte e as práticas de tortura ocorridas durante a época da ditadura militar.

Apesar de tudo isso, uma parcela dos dirigentes do sistema financeiro enxergava no capitão uma alternativa para levar à frente o sonho de derrotar politicamente o nome apresentado pelo Partido dos Trabalhadores em substituição a Lula, que havia sido condenado e preso em processo que só agora se revelou uma fraude judicial. Para surpresa da maioria dos analistas, Bolsonaro conseguiu superar as opções do campo conservador e foi para a disputa do segundo turno contra Fernando Haddad. Ao longo da campanha, o candidato da extrema direita evitou fazer qualquer comentário relativo à economia. Para essa tarefa ele se valeu de um conhecido operador do mercado financeiro e dono de banco, Paulo Guedes.

Economista com um doutorado na Universidade de Chicago concluído na década de 1970, Guedes foi formado junto com a fina flor do conservadorismo monetarista, sob a batuta de Milton Friedman e seus pares. Sua proximidade política e ideológica com os chamados “Chicago boys” era tanta que foi chamado para trabalhar na equipe encarregada de assessorar a área econômica da ditadura sanguinária do General Pinochet no Chile em 1973. Quase 5 décadas mais tarde, Guedes continuava com a mesma receita do neoliberalismo para aplicar no Brasil. Suas propostas mencionavam a necessidade de privatizar todas as empresas estatais e realizar um cerrado arrocho nas contas públicas, para eliminar o déficit fiscal. A fixação friedmaniana com a busca do Estado mínimo parece não ter lhe saído da mente.

O simples fato de ter amealhado uma fortuna com suas grandes operações no mercado financeiro não fazem do banqueiro alguém supostamente refinado e de livre trânsito na intelectualidade conservadora da sociedade brasileira. Na verdade, ele é alguém tão ou mais tosco do que Bolsonaro.

Fica mais do que evidente que não há mesmo muita diferença entre a criatura e seu criador. Os setores das classes dominantes que tornaram possível a eleição de Bolsonaro pensam o país segundo uma avaliação muito semelhante à do capitão. E Paulo Guedes também exprime opiniões que em nada ficam a dever ao seu chefe. Ambos se identificam e se merecem mutuamente. Os dois integrantes da dupla perversa são igualmente responsáveis pela tragédia que têm provocado ao Brasil e deverão ser punidos pelo genocídio que perpetram contra a maioria de sua população. (+893 palavras, Sinal Aberto)

Paulo Kliass é doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal no Brasil.

sinalAberto é um coletivo de Jornalismo de interesse público que recusa a informação apressada e que procura a verdade, sabendo que nunca será neutro.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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