Dia da Consciência Negra: viver é lutar com destemor

Neste 20 de Novembro de 2020 celebramos mais um Dia da Consciência Negra para lembrar que a discriminação pela cor da pele não combina com a raça cósmica que habita o Brasil. Entrevistamos Alfredo de Oliveira Neto, o presidente do Congresso Nacional Afro-brasileiro como parte deste esforço nacional contra os resquícios de racismo que perduram neste país.

Fale um pouco da sua história de vida.

Tenho origem operária e pai de dois filhos. Sou metalúrgico ferramenteiro desde os tempos da Eletrolux, onde fui escolhido como coordenador de fábrica pelos trabalhadores de lá. Desde os anos 1980 militei no MR8 e no MDB e em 2009 ajudei a fundar o Partido Pátria Livre, hoje integrado com o PCdoB, ocupando lugar na direção nacional das agremiações políticas. Integrante da executiva nacional da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, desde 2014 presido o Congresso Nacional Afro-brasileiro, entidade fundada por Eduardo de Oliveira.

Quais são os objetivos do CNAB?

O CNAB foi criado para combater a discriminação aos negros e construir a igualdade de todos os brasileiros. Uni a Nação. Buscamos criar melhores condições de vida para os negros em um Brasil independente, soberano, desenvolvimento econômica e socialmente. Em um ambiente de encolhimento, a disputa de espaço favorece o racismo. Hoje a principal tarefa é conter o avanço do fascismo e substituir o governo por outro de caráter popular, que cuide da nossa gente.

Conte mais sobre a história de Eduardo de Oliveira, primeiro vereador negro da cidade de São Paulo.

Ainda no colégio, Eduardo de Oliveira escreveu o Hino à Negritude, que integra o hinário nacional desde 29.5.2014. Sua obra literária conta com doze diferentes volumes em prosa e verso e a coleção de 584 biografias em Quem é Quem na Negritude Brasileira. Vereador paulistano em 1963, dedicou sua vida ao combate ao racismo e ao Brasil, militando no MR8 e fundando o CNAB e o PPL.

O Brasil ainda discrimina as pessoas pela cor da pele? Como combater e suprimir o racismo no país?

Ainda não superamos o racismo no Brasil, que vem desde os tempos da escravidão, nem no mundo. Quanto mais escura a cor, maior o sentimento de discriminação, inclusive na ação policial em espaço público. A presença de caras pretas na televisão ajuda, dá mais visibilidade, mas ainda não é o suficiente. A luta deve ser travadas por todos, negros ou não, por todo o povo brasileiro, todos os dias.

O Brasil só será livre quando todos os negros forem libertos.

Alfredo de Oliveira Neto, presidente do CNAB.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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