Sobre a ascensão do nazismo e a frente ampla

Recebemos um artigo de Osvaldo Coggiola, escrito neste século, a deduzir da mais recente fonte citada na bibliografia.

Ele aborda a ascensão do nazismo considerando os papeis que acredita terem tido Hitler, Trotsky e Stalin, de modo que trataremos o texto de 14 páginas nesta introdução e em três capítulos suplementares.

Como veremos em detalhe na página correspondente, impressiona como o surgimento e desenvolvimento do partido nazista inspira o andar do fascismo no Brasil de hoje. Não são só as cenas reproduzidas por autoridades federais, mas a identidade com a figura do capitão messias que parcela minoritária mas ruidosa nutre como o “salvador da Pátria”.

Do outro lado, de parte da grande maioria dos brasileiros que têm na democracia a forma civilizada de convívio nacional, reproduz-se um debate que atores do início dos anos 30, às vésperas da nomeação de Hitler como chanceler alemão, travavam na Alemanha e mesmo fora dela: quão ampla deveria ser a Frente de resistência então ao nazismo? Nacional ou apenas proletária?

Hemos de concordar com Coggiola que as limitações da aliança antifascista d’outrora, em um tempo de profunda crise econômica no país mais industrializado da Europa, não só facilitou a trajetória nazista pelo fechamento das Instituições de Estado alemãs como também, em certa medida, um morticínio sem precedentes. Por isso, é mister fazê-la amplíssima hoje.

Não somos especialistas nas ciências da mente para avaliar com exatidão o que vai pela cabeça de Jair Bolsonaro, mas parece evidente que, enquanto 70% querem limitar os estragos que faz ao país, o Presidente trabalha pela extensão do período de mando, não somente considerando uma reeleição nos moldes constitucionais. Pouco faz em defesa da vida e muito em favor da concentração de renda, nada distinto do que Hitler fez há oito décadas e meia.

O que se contrapõe ao seu delírio, tão bem retratado por Charles Chaplin em O Grande Ditador, é a unidade dos contrários. Na política como na física, gente que pensa caminhos diferentes para o Brasil e os brasileiros, mas tem duas coisas em comum: a identidade nacional e o amor pela vida de todos. Não é a toa que o ato pelos Direitos Já de 26.6.2020 durou quase cinco horas, reunindo liberais e comunistas, progressistas e conservadores, brasileiros e brasileiras, enfim.

O Tigre Branco é um filme sempre a ser revisitado. Quando perguntam onde está o fascismo, a personagem principal responde: “ele está atrás de você”. Já, já, seremos milhões de novo nas ruas em defesa da Democracia, da vida e do Brasil.

Nossas considerações sobre Stalin e Trotsky, à luz do artigo recebido, o fazemos nas páginas finais deste.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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